Rede sem fio - você ainda vai ter uma !



IEE802.11b é mais uma destas siglas enigmáticas aparentemente sem sentido que povoam o vocabulário da informática. Não desta vez. Esta é a sigla da liberdade e independência. Rede de computadores não é uma novidade, pois há pelo menos quinze anos, desde que os PCs evoluíram, a primeira e óbvia necessidade foi compartilhar recursos, periféricos e arquivos.
Desde o início os computadores estavam literalmente amarrados aos fios. Havia os fragílimos cabos coaxiais, que após um prosaico tropeção, paravam a rede de uma empresa inteira. Uma grande evolução aconteceu com a chegada dos Hubs com sua distribuição inteligente de acessos sem aquela imensa fragilidade anterior, ao custo de usar mais ainda dos famigerados cabos.
IEE802.11b é uma tecnologia nova que nos liberta dos grilhões dos cabos e pontos de acessos fixos. As empresas já despertaram para o uso desta nova possibilidade. Livre acesso à rede corporativa, de qualquer ambiente da empresa, seja no escritório do chefe, numa de sala de reunião, no auditório ou mesmo na cantina, não é apenas cômodo, traz inúmeras novas possibilidades.
Esta não é a primeira tecnologia que surgiu com este objetivo. Outras apareceram, mas não tinham o custo benefício, nem atendiam a todas as expectativas da solução atual. Segurança, eficácia, robustez da comunicação e bom alcance são as principais características.
A solução consiste de um ponto de acesso centralizado, que dispõe de uma pequena antena. Este pode ser ligado a um outro computador ou a um Hub de uma rede já existente. Este ponto de acesso funciona como se fosse um Hub sem fio, aceitando teoricamente entre 256 até 2048 estações (dependendo do fabricante). As estações, micros de mesa ou portáteis pode usar placas de rede apropriadas, PCMCIA, USB ou PCI. Estes computadores podem estar a uma distância de até 130 metros (sem obstáculos) ou 30 metros (com obstáculos). Em nossos testes, utilizamos a solução da empresa DLINK (http://www.dlink.com/products/DigitalHome/Wireless), que entre outras como LINKSYS, 3COM, NETGEAR, ORINOCO, etc. também têm produtos de conectividade sem fio.
Efetuamos nossos testes em ambiente doméstico. Bastante apropriado, pois rede local doméstica tem experimentado grande crescimento. Qual casa ou apartamento comporta a instalação de ao menos dois ou três cabos categoria 5 em seus conduites ? Logo de início o projeto da rede local doméstica esbarra numa limitação de espaço. Compartilhar recursos, acesso centralizado a Internet (via ADSL ou Cabo), com controle de acesso de conteúdo também centralizado feito pelos pais e grande mobilidade são atributos muito desejáveis. Também sabemos que a disposição de móveis dentro das casas pode variar muito. Assim a existência de um ponto de cabo de rede deixa de ser limitação para a adequação do uso da rede dentro da casa. Sem contar a possibilidade de se usar o computador portátil virtualmente em qualquer lugar, desde o banheiro , cpzinha ou até em cima da cama, para os mais fanáticos.
Dentro deste ambiente doméstico de teste fomos capazes de usar um computador portátil em ambientes até três paredes longe do ponto de acesso. A despeito de a distância ser menor que os trinta metros especificados, cruzar a quarta parede não foi possível.
A velocidade nominal da rede é de 11 Mbits/s, bastante boa para este uso, pois só recentemente que as redes de 100 Mbits/s se popularizaram. Até pouco tempo atrás redes de 10 Mbit/s eram padrão nas empresas, havendo ainda muitas redes operando nesta velocidade. A tecnologia IEE802.11b prevê uma adaptação da velocidade de transmissão às condições de qualidade de sinal, distância ou obstáculos. A velocidade pode diminuir para 8, 5, 4, 2 ou 1 Mbits/s bem como aumentar a velocidade se as condições melhorarem. Se alcance é problema pontos de acesso podem ser instalados como se fossem repetidores, ampliando a área de abrangência do sinal, porém ampliando o custo da solução. Podem ser usados simultaneamente equipamentos de diferentes fabricantes, pois todos trabalham no mesmo padrão IEE802.11b.
O problema final a ser resolvido é segurança. Afinal se meu vizinho também tem um computador portátil com adaptador de rede sem fio doméstica, eu não quero que ele veja meus arquivos, use indevidamente meu acesso a Internet e, portanto invada a minha privacidade. Isso sem mencionar o problema de segurança em empresas que poderiam ser espionadas por computadores do outro lado da rua. Este assunto foi muito bem resolvido no projeto técnico da solução. Existem dois níveis de garantia de privacidade e segurança. A primeira proteção consiste de um “Grupo de Rede”. Os computadores somente se comunicam se estiverem alocados no mesmo grupo. A segunda proteção é a possibilidade de ativar a criptografia de 128 bits (a mesma usada em transações seguras na Internet) em cada pacote transmitido e recebido. Isso evita que “scanners” de ondas de rádio possam ser usados para espionar ou “grampear” a comunicação. Além disso, se as proteções anteriores não tiverem sido ativadas, o sistema de segurança da rede também pode bloquear os acessos a recursos. Rede sem fio é ótima, mas se não quiser bisbilhoteiros, as proteções devem ser ativadas explicitamente, pois na configuração padrão estas estão inativas.
O Windows XP é hoje o único que tem suporte nativo aos protocolos utilizados por redes sem fio. Outros sistemas operacionais exigem além da instalação do driver do adaptador de rede, exigem uma camada de software para gerenciamento do acesso bem como da segurança, fornecidos pelo fabricante.
Atualmente os preços no mercado brasileiro ainda estão altos, embora com tendência de queda, pois estes preços já caíram quase 50% no exterior no último ano. Mas se não for hoje, com certeza todos nós estaremos utilizando este tipo de recurso em futuro bem próximo, quem sabe até mais evoluído, permitindo acessos a pontos ainda mais distantes e com ainda mais velocidade. Por todas as facilidades e recursos é uma tecnologia que parece irreversível no nosso quotidiano que está por vir.