DELL Latitude D600 – INTEL Centrino
Os usuários de computadores móveis compartilham de algumas características básicas. Desejam o máximo de performance utilizando o menor peso possível, com recursos de comunicação abundantes e vasta autonomia de bateria. Algumas destas características são intrinsecamente contraditórias, como por exemplo performance e vida útil de bateria. Porém a DELL, utilizando o recentemente lançado sistema Centrino da Intel (processador mais chipset e solução wireless), conseguiu resolver esta equação de forma surpreendente. INFORMÁTICA testou o modelo D600 da DELL uma pequena jóia de engenharia e recursos.
Este pequeno computador, pequeno mesmo pois com espessura de cerca de três centímetros e pesando pouco mais de dois quilos, surpreende na versatilidade e características. O modelo testado dispunha do novo processador de 1.4 Ghz, disco rígido de 40 Gb, 512 Mbytes de memória, DVD/CD-RW, monitor LCD de 14 polegadas, rede Gigabit Ethernet (compatível também com os padrões 10/100 Mb) e rede sem fio, entre suas características principais.
A performance deste equipamento é seu maior destaque. Não se deve deixar enganar pela freqüência nominal do processador de 1.4 Ghz pois o novo processador da Intel, componente do sistema Centrino, é um processador que foi completamente re-projetado para uso em sistemas móveis. Segundo a Intel esta solução se compara aos processadores móveis de mais de 2.0 Ghz da família anterior. Pudemos comprovar isso em nossos testes, detalhados adiante. O chipset 855 da solução Centrino dispõe de vídeo on-board de boa qualidade mas a DELL quis privilegiar seu equipamento com um sistema de vídeo ainda mais elaborado.
Submetemos este equipamento a um tipo de teste que faria tremer o mais avantajado equipamento. Ele desempenhou o papel do computador de uso pessoal e diário, usado por pelo menos 12 horas por dia, durante duas semanas com toda a complexidade de configuração, programas tradicionais como texto, planilha e e-mail, ambiente de desenvolvimento de aplicativos e desenvolvimento Web, gerenciador de banco de dados, edição de imagens, edição de vídeos, jogos, etc. e mais uma infinidade de outras funcionalidades reais que um “power-user” pode demandar de um equipamento como este. Mais que um teste de laboratório, com os tradicionais benchmarks, pudemos perceber neste tipo de uso estressante todas as vantagens e uns poucos pontos fracos deste equipamento.
Para melhor avaliação usamos uma máquina referência para comparativos de performance, um notebook baseado em Pentium III Móbile 1.06 Ghz, também com 512 Mbytes de RAM. Esta máquina foi escolhida como referência pois quem já tem um computador mais moderno, como um Pentium 4 mobile de 2.0 ou mais Ghz pode não ter todo o estímulo necessário (e recursos financeiros) para trocar de novo de equipamento enquanto o dono de uma máquina desta geração que usamos para comparação pode se sentir estimulado a evoluir seu hardware se ele perceber reais benefícios.
Fizemos testes diversos, usando aplicativos reais. O DELL brilhou nos testes de compressão de vídeos (transformação de vídeos AVI para MPEG ou WMV). O D600 realizou a tarefa em quase um terço do tempo (70 minutos contra 208 minutos) que seu irmão mais novo , o PIII, tendo somente 30% a mais de freqüência de clock do processador. Na reprodução de DVDs, ocupou somente 25% de CPU contra 60% do PIII. Em testes de aplicativos que demandam mais acesso a disco o D600 trabalhou em quase a metade do tempo (75 minutos contra 140 minutos). Em elaborados “games 3D” o D600 também superou de longe o PIII obtendo 25 fps no jogo GP4 contra 10 fps do PIII (mesmo com menor nível de detalhe gráfico). A performance de programas 3D é muito melhorada pois conta com o ótimo sistema de vídeo, um ATI Mobility Radeon 9000 com 32 Mbytes de memória. A percepção subjetiva de performance também é sensível pois o tempo de carga dos programas é pequeno e operações do dia a dia como alternar entre programas é bem ágil.
A experiência “wireless” foi excelente. Testado em pelo menos três locais que dispunham de “Access-Point” a conexão foi imediata e transparente. Um software da Intel que gerencia a rede permite alternar entre rede tradicional e rede sem fio de forma contínua e imediata, ou seja se estamos usando a rede sem fio e neste momento é inserido o cabo de rede tradicional, este assume o controle da comunicação com a rede sem perda de continuidade no uso dos aplicativos. O D600 também dispõe de módulo “bluetooth” para comunicação sem fio com periféricos e mesmo redes mais lentas.
No uso intenso do D600 pudemos constatar que em situações de máxima exigência, com muitos programas realmente pesados trabalhando simultaneamente, observa-se uma degradação de performance que seria natural. Talvez quando a Intel trouxer a tecnologia Hiper-Threading ou algo equivalente, existente nos processadores para desktops para os processadores “mobile”, este comportamento seja alterado como já acontece nos processadores para desktop com essa tecnologia.
Nos testes de longevidade da bateria, duas surpresas. Ao fazermos a carga inicial de software do equipamento o fizemos usando baterias e rede sem fio. Instalávamos um programa pelo CD e outro simultaneamente pela rede wireless, programa após programa sem descanso. Neste perfil atípico de uso a bateria durou cerca de 80 minutos. Quando usamos o computador da maneira “normal” obtivemos quase 5 horas de autonomia que se aproxima das especificações do equipamento. Mais um ponto a favor do DELL Centrino pois nosso PIII no mesmo teste, em situação “normal”, sustentou sua energia por pouco mais de duas horas.
Pudemos também testar o serviço de garantia “on-site” da DELL. Infelizmente a máquina que nos foi encaminhada para testes ao chegar apresentou uma pane fatal do disco rígido, fruto possivelmente do estresse e maus tratos por passar por tantas mãos e redações para análise. Porém, após acionado o serviço da DELL, em um dia (prazo contratual da garantia) um técnico da empresa se apresentou e trocou o disco rígido e reinstalou a máquina completamente. Sentimo-nos arrasados como ficaria um usuário comum e também efusivos com a pronta solução do problema. Este computador voltou a apresentar problemas no final do teste, que pode ter sido fruto da unidade pré-série que recebemos e da longa jornada de testes a que foi submetido.
Sentimos falta de uma conexão PS/2, comum em notebooks pois obriga o usuário a utilizar um dos dois conetores USB para conectar teclado externo. Dispõe de um luxo pouco comum, dois sistema de “mouse”, o “touch-pad” e um “stick” no meio do teclado. Isso é muito interessante pois agrada aos usuários habituados aos dois sistemas. Ainda dispõe de saída de vídeo externa, tanto padrão VGA como saída para TV, conexão por infravermelho, interface serial (em extinção nos notebooks e ainda muito útil), uma excelente unidade de DVD e gravador de CD e CD-RW de alta velocidade. Na configuração testada não havia unidade de disquete, que apesar de superado na capacidade de armazenamento, ainda tem utilidade. Convém ressaltar que a DELL tem por filosofia permitir ao usuário detalhar e personalizar a configuração do equipamento. No computador testado alguns dos periféricos faziam parte da configuração padrão e outros eram opcionais. A configuração pode ser montada no site http://www.dell.com.br .
Este computador pode se tornar facilmente o objeto do desejo ou o sonho de consumo de qualquer usuário de notebook ou mesmo um honroso substituto de um computador tipo “desktop” podendo satisfazer mesmo um “power-user”. Sua tecnologia aprimorada, sua performance destacada, vida útil de bateria ampliada e generosa, rede sem fio integrada e de uso transparente e ótima performance do sistema de vídeo são os atributos de destaque. A garantia “on-site” também funciona bem, mesmo que não se deseje usá-la amiúde no dia a dia.