O Windows faz 20 anos!


            Os tempos eram outros. Tão diferentes que a maioria dos monitores de vídeo apresentava as letras verdes em um fundo preto. Mouse, nem pensar. O ano era 1985 e poucas eram as empresas que tinham microcomputadores. As que tinham, muitas trabalhavam só com disquetes. Lotus 1-2-3, dBase II e Wordstar eram praticamente tudo que existia na época. Os computadores eram pelo menos 500 vezes mais lentos que os de hoje. Por isso jamais me esquecerei do dia que cinco disquetes chegaram às minhas mãos. Era o Windows 1.0. Era inconcebível um programa precisar de tantos disquetes assim. A expectativa era enorme! Após uma demorada rotina de instalação a máquina foi reiniciada e... a única coisa que consegui foi fazer aparecer uma tela com um imenso relógio analógico desenhado em uma tela gráfica!! É só isso? Um relógio? Claro que não, mas a interface era tão diferente de tudo que se usava até então que não se conseguia ver as outras funcionalidades. Sem uma quebra de paradigma não seria possível digerir este novo ambiente.

            O Windows, principalmente para o mercado brasileiro era totalmente adiante de seu tempo. Não havia por aqui monitores coloridos a baixo custo. As máquinas eram muito lentas para ele. Confesso que após esta experiência abandonei aquele “relógio de 5 disquetes” por um bom tempo.

            A Microsoft envolvera-se em uma disputa com a Apple na criação de uma plataforma gráfica. A Apple tinha criado o Lisa, o primeiro computador com interface gráfica, o precursor do Mac aproveitando as idéias criadas pela Xerox naquela época. A Microsoft por sua vez inspirou-se no Lisa e criou a sua versão. E nascia o Windows.

            Um dos atributos que conhecemos hoje do Windows é ser multitarefa. Nessa época também nasciam produtos como o IBM TOPview e Quartedeck DESKview que eram resumidamente ambientes multitarefa para DOS. Por que ao longo do tempo o Windows venceu essa disputa? Um dos motivos foi a parceria da Microsoft com a IBM visando desenvolver o “novo Windows”, que foi chamado OS/2, um produto IBM, mas com grande participação da Microsoft. O Windows continuou meio à margem até que pontos divergentes entre as duas empresas provocaram uma ruptura e as lições aprendidas no projeto OS/2 foram aos poucos sendo incorporadas ao Windows. Não todas. No início era sabido que a capacidade multitarefa do OS/2 era de fato muito melhor, mas este era um sistema operacional muito “técnico”, difícil de instalar e configurar embora com excelentes qualidades. Seguiram-se o Windows 2.0 e o Windows 386. Nessa época nascia um produto vencedor da Microsoft, o EXCEL que só rodava em Windows. Quem comprava o Excel instalava junto o Windows e talvez nem soubesse disso. O WORD “gráfico” seguiu os passos da conhecida planilha.

            Mas foi o Windows 3.0 que de fato conquistou as pessoas. Era fácil de instalar, rodava bem nas máquinas da época. Tive um PC 386 com 4 Mbytes de memória com esta versão que trazia um conjunto de aplicativos (básicos é verdade), como o PAINT, WRITE, CALC, SOLITAIRE, etc. Acreditem, na a época esses programas causavam frisson nas pessoas. Estas adoravam fazer desenhos multicoloridos usando o PAINT que nem podiam ser impressos, pois as impressoras coloridas de baixo custo ainda não tinham aparecido.

            No começo dos anos 90 havia uma disputa entre Windows e OS/2 que lembra muito o embate atual entre o Windows e o Linux. O OS/2 era tido como tecnicamente mais elaborado e melhor construído. Usuários mais especializados se deliciavam com o OS/2 que a exemplo do Linux às vezes exigia horas de afinação e “escovação de bits” para um perfeito funcionamento. Mas a facilidade do Windows acabou vencendo. A IBM tentou algo incrível, fez o Windows rodar dentro do OS/2 para cativar os usuários, mas isso não surtiu o efeito esperado.

            O Windows 3.1 e 3.11 foram evoluções importantes, pois introduziram multimídia e rede ponto a ponto respectivamente. O Windows 3.11 se espalhou rapidamente pelas empresas por causa de seu recurso de rede. O Windows 95 apareceu com uma revolução na interface, mais elaborada, mais eficiente e prometia ser muito melhor que seu predecessor. Era anunciado pela Microsoft como um sistema de 32 bits, mas isso era uma meia verdade. Parte da funcionalidade ainda se apoiava no velho DOS (16 bits) e por isso ainda aconteciam alguns fenômenos de instabilidade inerentes a esta herança genética. O Windows 98 não era assim tão diferente, mas tinha melhorias e acrescentou diversas funcionalidades, suporte a novos dispositivos (USB por exemplo). Seu sucessor o Windows Millenium (ME) seguiu os mesmos passos com melhorias, suporte a dispositivos, integração com as câmeras digitais e a herança 16 bits foi reduzida a quase zero (mas ainda existia).

            A Microsoft vinha em paralelo desenvolvendo um Windows mais “corporativo” e robusto chamado NT (New Technology), este sim totalmente 32 bits. Seu sucessor para este mercado foi o Windows 2000, os quais inovaram ao criar versões “Server” e “Workstation” que serviam respectivamente para servidores e estações de trabalho mais sofisticadas ou que requeriam mais robustez.

            Quando foi lançado o Windows XP em 2001 a Microsoft entendeu que o mercado estava maduro para aderir à robustez da “linhagem” NT/ 2000, pois o XP é herdeiro destes em seu código genético. Inovou mais uma vez criando o conceito de produto HOME e PROFESSIONAL e por isso encerrou a “dinastia” paralela do Windows 9x (95,98 e ME). O XP trouxe para os usuários toda a estabilidade e robustez do NT e 2000 mas com toda a roupagem amigável e cheia de novas funcionalidades. Exigia máquinas mais fortes mas com justa compensação pelos serviços prestados. Era o Windows verdadeiramente de 32 bits, usado tanto nas residências como nas empresas.

            Olhando para trás vemos que a grande evolução foi nos serviços prestados e na estabilidade, embora ainda haja queixas pelos usuários. Mas não se pode negar que do “grande relógio” da versão 1.0 até o XP um caminho imenso de inovações e progressos ocorreram, até versão 64 bits está chegando. No meio desta história, com o advento da Internet aspectos de segurança apareceram e obrigaram revisões destes sistemas. Ainda há críticas neste aspecto, mas não se pode comparar o nível de segurança do Windows 95 e do XP. Parabéns Windows!! Vimos você nascer e crescer. Ainda crescerá mais para atender a necessidades que ainda nem conhecemos!

E o próximo Windows – uma pequena visão do Longhorn

            A próxima versão do Windows, cujo nome de código é Longhorn deverá chegar na segunda metade de 2006. Essa data já foi postergada uma vez, pois a Microsoft tem planos ambiciosos para esta versão e por isso este desenvolvimento está se estendendo além do prazo originalmente previsto. Não é uma evolução do Windows XP, e sim um desenvolvimento praticamente todo novo, quase uma revolução.

            A Microsoft percebeu que poderia enriquecer muito a interface do produto. Por conta dos “Games”, o sistema de vídeo dos PCs tem se sofisticado ao longo do tempo, com capacidade 3D e ótima velocidade, mesmo os PCs de escritório têm vídeos com capacidade 3D e não são usados. A camada de apresentação do Longhorn (os bastidores da interface com o usuário) chamada Avalon, explora a fundo toda esta capacidade mal aproveitada dos PCs permitindo recursos visuais nunca antes imaginados. Alguns destes efeitos são pirotecnias interessantes, mas outras aplicações auxiliam muito a usabilidade do sistema operacional. Curiosamente na versão preliminar do Longhorn a barra de tarefas foi deslocada para a direita e um grande relógio analógico ocupa bom espaço. Seria uma referência ao Windows 1.0? Saudosismo?

            Uma situação séria e freqüente que o Longhorn visa resolver é a habitual bagunça que existe nos arquivos dos usuários. Usa um mecanismo muito ágil para criar índices baseados nos conteúdos das informações, sejam elas textos, planilhas, e-mails, fotos etc. O usuário terá recursos incríveis não só para localizar arquivos como também criar um sistema de associações de conteúdos e idéias parecido com o modelo humano de pensamento. Pessoas não pensam na forma de pastas e sub-pastas e sim assuntos relevantes e suas correspondentes informações. Por exemplo, um mesmo documento pode ser associado a diversas situações sem que seja necessário repeti-lo ou copiá-lo.
Há muitas outras inovações nos bastidores deste novo Windows. Estas permitirão a criação de novas formas de desenvolvimento de aplicativos que irão romper alguns paradigmas existentes hoje. Viabilizarão o uso cada vez mais intenso de soluções realmente distribuídas e baseadas em um “mundo conectado”. É esperar e conferir essa promessa.



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