Sun Java Desktop System – Seu próximo desktop?

Sun Java Desktop System
É fato inegável o crescimento da onda do Linux, também como desktop alternativo e da onda do “software livre” dentro da comunidade de informática. Como conceito isso é muito louvável, mas resolvemos nos travestir de usuário final e testar uma das mais profissionais soluções do mercado. INFORMÁTICA testou o Sun Java Desktop System 2003.
O Sun Java Desktop é baseado em uma distribuição européia do Linux, chamada SUSE Linux Desktop 1.0, não tão popular no Brasil, que utiliza o ambiente gráfico Gnome. Está incluído no pacote o software de produtividade Star Office 7.0 e ambiente de desenvolvimento de aplicações em Java.

Como qualquer usuário que queira instalar um sistema operacional as instruções são iniciar a máquina com o CD. Feito isso a instalação segue muito fluente. São três CDs que contém o sistema operacional, drivers, Star Office etc. Outros dois CDs complementam o pacote com programas adicionais e todo o ambiente de desenvolvimento de aplicações em Java. Durante a instalação são poucas as perguntas feitas no processo. No final o “temível” processo de instalar um Linux está feito e 100% operacional. Se medo de instalar um Linux é motivo para não experimentar este ambiente este não pode ser mais justificativa, foi realmente muito fácil esta etapa. Os nossos dispositivos de hardware como gravador de CD, DVD, placa de som, interface USB, placa de rede, placa de vídeo, a própria configuração da rede, acesso a Internet, etc. tudo resolvido de forma automática, fácil, primorosa.

Após o primeiro “boot”a sensação é de certa familiaridade com alguma desconfiança. Rapidamente encontramos os análogos de “meu computador”, “lixeira”, “ambiente de rede”, “menu iniciar” etc. Tudo isso graças à interface gráfica Gnome que mimetiza em parte a interface do já conhecido Windows. As diferenças principais estão no próprio menu de programas cujo título é “Launch” apesar da versão ser em português. Mas afinal é um ambiente novo e como diz o ditado “em Roma como os romanos”. É fácil achar onde estão as funções habitualmente utilizadas. O Navegador de Internet é o Mozilla 1.4, que lembra bastante o Netscape. Nesta hora a preocupação foi compatibilidade. Todos os sites que normalmente utilizamos rodaram sem problema algum, incluindo aqueles em Macromedia Flash e também sistemas de home banking com suas parnafernálias de segurança.

Na seqüência configuramos o software de e-mail da Sun chamado Ximian. Este se assemelha ao Outlook Express e ainda tem a funcionalidade de Agenda e Tarefas, muito parecido com as mesmas funções do Outlook do Microsoft Office. Tem todos os recursos esperados como gerenciamento de múltiplas contas e protocolos (POP, IMAP etc.), livros de endereços e um surpreendente cliente de sincronização com o Palm Pilot.

O ambiente é rico e bem completo. Há gerenciador para arquivos compactados (ZIP, TAR etc.), editor de imagens GIMP (muito bom - quase um Photoshop), Mr Project para gerenciamento de projetos, desenho de diagramas e fluxogramas, antivírus (não instalado por padrão), um Mídia Player que toca Wav, MPEG, MP3, Real Player etc. Há também leitura de arquivos PDF embora este seja lento para arquivos grandes. Há suporte aos tipos de imagens habituais como GIF, JPG, BMP etc.

No ambiente de rede pudemos localizar os computadores da rede Windows graças ao software cliente SAMBA presente que provê a visibilidade às máquinas e aos recursos destas, desde que se forneçam as respectivas senhas de acesso. A limitação que encontramos é que neste ambiente não se “mapea” um drive. As pastas são acessadas e arquivos para serem usados (abertos por algum aplicativo) precisam ser copiados para uma pasta do Linux (Documentos por exemplo) e depois recopiada na pasta da rede Windows. É trabalhoso, mas funcional.
Start Office 7.0
O Star Office está incluído no Sun Java Desktop System 2003, mas na sua versão em inglês, pois na época de seu lançamento ainda não havia a versão em português disponível. Assim apesar do ambiente do sistema operacional estar em português o Star Office está em inglês. Neste caso são existem as funções de revisão ortográfica em português. Na próxima versão do Sun Java Desktop existirá o Star Office também em português. Hoje é possível com algum trabalho instalar a versão atual em português do produto neste ambiente.

As ferramentas de produtividade do Start Office 7 foram testadas sob duas óticas. A facilidade na execução de suas respectivas tarefas e na compatibilidade com arquivos Microsoft Office. Existe um conceito básico que o diferencia do conhecido Office. A interface para criar ou abrir arquivos é sempre a mesma e só a partir do tipo do arquivo escolhido que o produto assume a sua forma final, com menus e comandos apropriados. Além dos clássicos programas de Texto, Planilha e Apresentações há outras funcionalidades como Editor de HTML, Imagens, Desenhos, Etiquetas etc.

O módulo de apresentações passou por uma difícil prova. Carregou um arquivo PPT com 108 slides, heterogêneos, com tipos de informações, gráficos diversos, combinações de cores etc. A importação foi rápida e o resultado quase perfeito. Comparando slide a slide com a apresentação PPT original, em alguns slides, notadamente em alguns gráficos de torta, houve algumas distorções, bem como algumas sutis diferenças de cores. Ao iniciar um trabalho do zero os modelos ajudam bastante e as ferramentas intuitivas não assustam a ninguém.

Abrir arquivos de Word também não foi problema, mesmo os maiores e mais pesados. Problemas só ocorreram em arquivos que tinham sido montados por “colagem” de páginas HTML (copiar e colar) de alguns sites. Documentos digitados, com gráficos criados, tabelas etc. tudo foi muito bem. Criar documentos também é muito simples e natural e as funções necessárias estão todas à mão.
Submetemos uma planilha Excel realmente gigante ao Star Office, com mais de 12 folhas e cada uma dela com milhares de linhas, fórmulas referenciando folhas entre si etc. A única restrição já era conhecida. Macros de Excel não são importadas, devem ser refeitas no Star Office. Apesar disso existe o conceito de macro no produto inclusive com recurso de “memorização”.
Conclusão
O ambiente uma vez instalado, incluindo o Star Office, atende perfeitamente ao usuário comum. Aquele que precisa usar os programas de produtividade de escritório, e-mail, visualização e edição de imagens, diversão como vídeos e música digital, tem tudo ao alcance e pronto para uso. Sem dúvida é um ambiente de “Desktop” que atende ao uso corporativo e doméstico normal.
Os problemas que encontramos não foram no Sun Java Desktop System em si e sim nas idiossincrasias do Linux. Algumas operações que sob Windows são triviais são tarefas hercúleas neste ambiente. Quisemos por exemplo instalar um Adobe Acrobat Reader para Linux pois o programa que mostra PDFs nativo é muito lento para arquivos grandes. Foi muito complicado. O arquivo baixado era um .TAR. O usuário tem que descobrir que é arquivo compactado que deve ser descompactado antes de usá-lo. Depois um script deve ser rodado em modo terminal lembrando que em nomes de arquivos letras minúsculas e maiúsculas são diferentes. Clicar sobre o script não funciona. E assim por diante. Foram quarenta minutos para resolver todo o quebra cabeças.
Já há recursos para criar pacotes amigáveis de instalação neste ambiente. O próprio Star Office se instalado à parte do Sun Java Desktop se instala com um simples clique de mouse. Mas existe uma cultura latente de que usuário de Linux “não come mel e sim chupa as abelhas”, tem que ser “entendido”, ou “quem quer coisa fácil que fique com o Windows”. Se a comunidade de desenvolvedores desta plataforma se despir desta postura elitista intelectual e pensar mais no usuário final como também merecedor deste digno e bom ambiente, este pode se tornar um ambiente alternativo real para os usuários finais que precisarem customizar e evoluir um pouco mais o seu o ambiente.
