Microsoft PDC 2003 - "The Longhorn PDC"

(artigo publicado no ESTADO DE SÃO PAULO no dia 17/11 - versão integral)

inclui parte inédita sobre o PDC e Desenvolvedores (clique aqui)



Clique aqui para ver alguns momentos do PDC 2003

A última semana de outubro foi recheada de acontecimentos. A Microsoft reuniu quase oito mil desenvolvedores profissionais para uma conferência técnica, que foi um banho de futurologia. A estrela da festa foi a próxima versão do Windows, cujo nome de código é Longhorn, e que tem seu nascimento previsto somente para daqui a dois anos. Outras novidades também ilustres apresentadas, já em estágio mais avançado de gestação, foram o Whidbey , a nova versão do Visual Studio e o Yukon, a nova versão do SQL Server.
Em sua história a Microsoft nunca liberou uma versão de produto em um estágio tão preliminar de desenvolvimento. O motivo para isso é que o Longhorn promete uma revolução equivalente à transição do Windows 3.11 para o Windows 95. Há novidades em várias frentes : interface, sistema de arquivos, comunicação, recursos para desenvolvimento etc. Por isso a Microsoft aproveitou a ocasião, tantos profissionais especializados reunidos, para já lhes proporcionar informações valiosas e direcionamento estratégico para a nova plataforma. O Longhorn está dividido em três modulos distintos na sua arquitetura : Avalon, WinFS e Indigo.



Longhorn – Interface (AVALON) :

O primeiro paradigma quebrado pelo Longhorn é a sua camada de apresentação, ou a interface com o usuário,chamada Avalon. Foi substancialmente modificada, principalmente nos batidores como naquilo percebido pelo usuário. O famoso “systray” foi deslocado para a direita, recebeu também novas atribuições (foi rebatizado como “Sidebar”), dentre elas um nostálgico relógio analógico e muita flexibilidade para exibir informações e customizações. Mas as novidades estão mais profundas que somente a parte visual. A integração de mídias com conteúdo é o destaque, indo mais longe que o que existe hoje. Ainda existem vários elementos herdados do Windows XP na interface mas deverão sofrer algumas mudanças até o produto final. Não podemos esquecer que esta é uma versão “Alpha” do produto, bem preliminar. A qualidade visual está muito sofisticada, novos botões, ícones, etc. Tudo isso graças ao avanços em resolução utilizada, 1024x768 (mínimo recomendado), usando mais pontos por polegada (125 dpi) e usando a fundo os recursos gráficos do hardware de apoio. Atualmente existem placas gráficas aceleradoras 3D muito sofisticadas, usadas em jogos. Porque não permitir o sistema operacional usar este hardware a favor do usuário ? Há um poder imenso de processamento especializado quase desperdiçado hoje em dia pois só alguns poucos programas usam a fundo estes recursos. Usar a placa gráfica para lidar com a inteface e reservar ciclos preciosos da CPU para processar os programa do usuário fazem a diferença.

Para começar os objetos de tela, fontes, caixas de diálogo etc., são tratados como objetos vetoriais, ou seja, não mais como uma matriz de pontos (bitmaps). Isso permite alta definição e ampliações irrestritas na tela. Há recursos nativos do sistema operacional que otimizam a experiência e funcionalidades de leitura, clareza e conforto visual. Para os desenvolvedores , uma revolução. As ferramentas de desenvolvimento permitem tratar a apresentação e a lógica de forma separada. Assim os designers da geração Web, usando linguagem declarativa (análoga a um html) pode exercer toda a sua criatividade nas interfaces dos programas sem prejudicar a lógica de negócio ou a lógica dos programas. Há uma nova forma de criar programa que herdou as vantagens de interface da Web, usando uma navegação indutiva, baseada em tarefas. Reutilização e alto grau de customização são pontos chave das capacidades entregues aos desenvolvedores. Apesar de tantas inovações as aplicações atuais que funcionam atualmente irão também rodar bem no Longhorn, como seria desejável. Com o auxílio do novo DOTNET Framework, o Longhorn traz o recurso “Click Once” que permite que programas sejam instalados com um único clique de mouse, sem toda aquela complicação dos rituais de instalação comuns.





Longhorn Sistema de Arquivos (WINFS) :


A cada ano o tamanho dos disco rígidos fica maior. Localizar informações em um espaço de dezenas de Gigabytes é uma tarefa ingrata. Umas das mais comentadas mudanças é o novo sistema de arquivos do Longhorn, baseado na tecnologia do novo SQL Server (Yukon). Parece estranho. Pode parecer mas o resultado é fantástico. Primeiro uma correção conceitual : o velho, robusto e bom sistema de arquivos NTFS ainda está vivo no Longhorn. Na verdade o WINFS se vale dele para no final de tudo acessar os dados. Porém uma camada muito inteligente foi introduzida gerenciando as pastas de dados dos usuários, com o objetivo de integrar todos os tipos de informação e viabilizar as mais úteis consultas.

O WINFS é a personificação de um pedido de mais de dez anos de Bill Gates, que desejava um sistema de associação de idéias e conteúdos mais parecido com o modelo humano de pensamento. Pessoas não pensam em pastas e sub-pastas e sim assuntos relevantes e suas correspondentes informações. Todo tipo de conteúdo pode ser alvo de busca, seja um documento de Word, uma ficha de Contato de Outlook, o texto de um email, arquivos de som e vídeo etc. O segredo está no mecanismo de banco de dados que organiza todas as informações usando “meta-dados” para permitir este cruzamento bem versátil de dados.

Um caso clássico até então mal resolvido é localizar todas as informações relacionadas com uma certa pessoa ou contato, incluindo documentos do Office, mensagens enviadas e recebidas, etc. Imagine um centro médico que tem centenas de casos de pacientes, os quais compartilham informações comuns, trabalhos acadêmicos, históricos de casos clínicos passados associados etc. No sistema tradicional de pastas um trabalho associado à doença de um paciente deveria ser copiado em cada pasta de paciente ou guardado em um lugar especial, separado dos mesmos. Com o WINFS ligações lógicas de dados podem ser feitas entre vários tipos de arquivos, extensível para qualquer outro tipo uma vez implementado pelo desenvolvedor.



Longhorn – Comunicação e Componentes (INDIGO) :

Um pouco mais distante do usuário final está o módulo de comunicação do Longhorn chamado de Indigo. Esta parte do sistema operacional é vital para empresas e desenvolvedores pois todo o modelo de componentes e serviços, locais e distribuídos se baseia nestes recursos. Há inúmeras novidades relacionadas a arquitetura, segurança e performance. Os desenvolvedores terão um imenso ganho de produtividade pois no Longhorn tarefas de codificação que envolvem serviços remotos e segurança exigirão cerca da metade do esforço de codificação. Desta forma permitirão o aperfeiçoamento das aplicações que hoje trabalham com Web Services, componentes remotos, viabilizando o uso cada vez mais intenso de soluções realmente distribuídas e baseadas em um “mundo conectado”.


Longhorn - HARDWARE

Toda esta evolução terá uma exigência de hardware. Como diz o ditado “não existe almoço grátis”. Como a data prevista para o lançamento do Longhorn é entre o final de 2005 e começo de 2006, a Microsoft estima que o computador padrão nesta ocasião terá uma CPU de 4 a 6 Ghz, 2 Gb ou mais de memória, 1 Terabyte ou mais de disco, placas aceleradoras gráficas três vezes mais rápidas que as atuais, rede sem fio de 54 Mb/s e Ethernet Gigabit. Isso não quer dizer que este é o requisito mínimo para usar o produto e sim a plataforma ideal para a qual ele está sendo projetado. Em nossos testes usamos um processador de 2.1 Ghz, 256 Mb Ram placa aceleradora Nvidia GF4 e rodou muito bem, salvo algumas demoras para fazer algumas mudanças de configuração, apesar de ser uma versão “Alpha”, sem otimizações. Mas na verdade esta máquina descrita acima que parece impossível hoje deverá ser mais realista nesta época e a mais indicada para extrair todos os benefícios do Longhorn.



WINDOWS XP Service Pack 2


Antecipando um pouco algumas das tecnologias e medidas de segurança e estabilidade do Longhorn, a Microsoft mostrou anunciou a que estará disponível no primeiro semestre do ano que vem o Windows XP Service Pack 2. Os assuntos tratados neste service pack são segurança e estabilidade. Por exemplo o Internet Conection Firewall será ativado por padrão, eliminando muitas fragilidades. Algumas aplicacações que requeiram acessos específicos poderão requisitar abertura de portas temporárias. Haverá um novo metodo de acesso a anexos em e-mails com baixo privilegio tornando menos violentas as pestes virais que nos assolam. Será ativada a proteção contra a execução de programas em áreas de memoria reservadas a dados também objetivando diminuir o ataque de worms e virus. O Windows Update será mais esperto, realizando as atualizações críticas de forma mais automática e usando a tecnologia de “smart-patch” para somente mudar partes de arquivos alterados e não trazer o arquivo inteiro.


DESENVOLVEDORES

Segundo Craig Mundie, “chief technical officer of advanced strategies and policy” da Microsoft, a cada 15 anos aproximadamente mudanças fundamentais acontecem neste segmento e agora estamos experimentando o início de uma nova fase de mudanças. Com o Longhorn, Whidbey (nova versão do Visual Studio) e Yukon (nova versão do SQL Server), os desenvolvedores terão muito poder para criar soluções ricas e inovadoras com um padrão de qualidade visual tão rico como nunca visto antes. Os desenvolvedores devem começar a se preparar para migrar gradativamente para um novo modelo de desenvolvimento, mais amplo e aberto que o tradicional esquema Cliente-Servidor e abraçar o modelo de Serviços amplamente aprimorado e suportado pelo Longhorn. A convergência das tecnologias e dispositivos viabilizará o aparecimento de aplicativos ainda nem concebidos e que poderão revolucionar a maneira como interagimos com os programas hoje. O modelo de desenvolvimento baseado em Aplicativos Windows Forms será muito ampliado, frente ao modelo Web Forms pois com o uso do conceito amplo de Serviço, usado local ou remotamente (Indigo e Enterprise Services), aplicativos com interface rica usando a plataforma DOTNET podem ter todas as vantagens dos aplicativos Web Forms, usando comunicação e serviços remotos, mais toda a sofisticação e versatilidade de uma interface muito mais elaborada, principalmente ao ser usado o Longhorn (Avalon). Foi mostrado no PDC um protótipo de um aplicativo assim feito pela AMAZON que usaria a Web como meio de distribuição do aplicativo que rodará no computador do usuário com um resultado surpreendente na interface, qualidade e interatividade.

Yukon, o novo SQL Server traz o DOTNET para dentro do SQL. Extendendo as tradicionais Stored Procedures, existirá um novo tipo de Procedure que usa código gerenciado, feito linguagens DOTNET como C#, VB etc. Há também uma ampliação nas possibilidade e usos de XML mais um ótimo serviço de relatórios (que terá versão para SQL 2000 também disponível), avanços em performance e segurança são resumidamente as inovações desta nova versão do clássico SQL Server.

O novo Visual Studio (Whidbey) traz inúmeras ferramentas de produtividade. O objetivo é proporcionar condições para o desenvolvedor ter que codificar 50% menos, e usar o tempo ganho em arquitetura e concepção dos aplicativos. Recursos vistos estão bem avançados nesta direção. A atualização do DOTNET Framework para a versão 2.0 acompanhará o Whidbey e viabilizará junto com o ambiente de desenvolvimento estes ganhos de produtividade e também as ferramentas mais apropriadas para desenvolver aplicativos para o Longhorn.


CONCLUSÃO

Um festival de inovações está por vir. Para o usuário final é sempre muito complicado absorver tudo e na velocidade com que isso acontece. Mas desta vez este usuário só precisa esperar. Todas estas novidades farão surgir uma nova onda de aplicativos mais poderosos, mais fáceis e porque não, muito mais agradáveis de serem usados. Novas formas de uso, sistemas conectados, variedade de dispositivos e riqueza de interface são os benefícios esperados. Por enquanto nós usuário devemos aguardar o amadurecimento destas tecnologias e sabendo os benefícios potenciais possíveis, cobrar dos desenvolvedores a concretização destas promessas, afinal agora está nas mãos deles.

 


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