Intel Developers Conference 2004 - IDF


“O mundo caminha cada vez mais para o digital. Cada aspecto da vida torna-se mais digital. Muitas oportunidades decorrentes destas transformações estão a caminho - Craig Barret CEO Intel”

 

Convergência e mudanças
Em fevereiro aconteceu em San Francisco a conferencia IDF 2004, na qual a Intel e seus parceiros apresentaram para uma comunidade de 5000 usuários, analistas e jornalistas, as tecnologias emergentes e como estas poderão afetar a experiência no uso dos recursos de informática nos próximos meses ou anos. A convergência de tecnologias de comunicação e informática está cada vez mais acentuada e já mostra os resultados dessa feliz união.
Segundo Craig Barret (CEO da Intel), estamos vivendo um período de mudanças muito rápidas, proporcionadas pelos investimentos em tecnologia. Alimentando a recente polêmica sobre os investimentos em TI, causada por um professor da Harvard Bussiness School, Barret destacou que neste processo de convergência de tecnologias, cada aspecto do dia a dia se torna cada vez mais digital e isso se reflete em oportunidades e diferenciação para quem investir em tecnologia na hora certa. A convergência está impulsionando as mudanças. Esta convergência inclui computação (processamento), comunicação e conteúdo (informação), por uma grande gama de formas como entretenimento, educação, saúde, ciências, etc.
Foi apresentado um protótipo de sistema em chip de silício para manipular o comportamento da luz e usá-la como meio de comunicação muito eficiente para longas distâncias. Alguns moduladores experimentais já rodam a 1 Ghz com possibilidade de crescer até 10 Ghz. Quando comparado à solução atual de Gigabit Ethernet, distâncias maiores podem ser atingidas (até 80 km), com múltiplos sinais distintos (vídeo, som, rede, etc.) a um custo mais baixo. Chips híbridos manipulando luz e elétrons estão a caminho.


Pudemos ver os grandes "displays" de cristal líquido usando a tecnologia LCOS (liquid crystal on silicon). Painéis de grande tamanho (30 ou mais polegadas), com extrema definição, adequados ao uso de PCs, entretenimento e uso corporativo (apresentações), com custo mais baixo que os grandes displays atuais feitos de plasma.
As pesquisas que viabilizam estas novidades não custam pouco. São mais de 4 bilhões de dólares investidos por ano nesta e em outras tecnologias. Há diversas barreiras a superar e só com muito desenvolvimento de novos métodos e materiais isto será possível.


64 Bits Extensions
Foi anunciada pela Intel a tecnologia 64 Bits extensions, que vai trazer o mundo do 64 bits para os usuários Intel de 32 bits. Trata-se de um conjunto de instruções a ser implementada inicialmente no processador Xeon, a partir do segundo quadrimestre de 2004. Permitirá o uso de sistemas operacionais de 64 bits (Windows XP, Windows Server 2003, Unix/Linux etc.) com maior capacidade de endereçamento de memória e aplicativos (recompilados) muito mais eficientes. Em modo de compatibilidade 32 bits rodará todos os sistemas atuais sem problemas. De forma semelhante à solução implementada pela AMD (Atlhon 64 e Opteron), como o conjunto de instruções é compatível com o IA-32, a transição respeitará a base instalada de aplicativos e sistemas operacionais. A Microsoft anunciou que breve estará disponível a versão beta para 64 bits Intel. Sem data ainda confirmada, também haverá no futuro versão do Prescot (Pentium 4) com 64 bits extensions levando também para o grande público a tecnologia de 64 bits. É a chegada da Intel na boa "briga" do mundo 64 bits no nível médio e para usuários. A Intel já tem há alguns anos o Itanium, sistema "high-end" de 64 bits direcionados para aplicações de grandes corporações com necessidades "missão-crítica", mas este usa um conjunto de instruções especializado e incompatível com as plataformas mais simples como Pentium 4 (usuários finais) e Xeon (servidores "mid-range") que hoje são 32 bits.




Digital Home
A visão de "Digital Home" pode ser muito mais percebida uma vez que aquilo que antes era um exercício de futurologia já se traduz em produtos palpáveis. Os "Entertainment PCs" já são realidade, com vários fabricantes já disponibilizando nas lojas suas versões de "tudo-em-um", na qual um Windows Media Center gerencia todo os equipamentos de som, vídeo, fotos, DVD, gravação etc. Já estão disponíveis os novos dispositivos independentes dos PCs como os personal vídeo players como o da Creative Labs e os gerenciadores de mídia que também atuam como receptores de TV e gravadores de vídeo (PVR - personal vídeo recorders) em meio digital (hard disk embutido). No caso de diversos aparelhos, os dispositivos de integração de dispositivos, computador, som, vídeo, fotod, TV evoluíram para "Media Adapters" sem fio usando tecnologia Wi-Fi (802.11). O Universal Plug-and-play começa a dar sinais que dá conta do recado para permitir o uso de toda esta parnafernália junta sem dificuldade.


Wireless
A "onda Wireless" é mesmo irreversível a ponto de observarmos no varejo (americano) que os preços destes equipamentos já são muito baixos (cerca de US$ 50 para 802.11b e US$ 90 para 802.11g - Access Points) e também por serem as áreas mais concorridas nas lojas especializadas. O ano de 2003 marcou a explosão do número de "hot-spots" públicos no mundo. O mercado decidiu e o padrão de Wireless de alta velocidade (54 Mb/s) que se firmou é o 802.11g. Este apresenta compatibilidade com o padrão 802.11b, pois trabalha na mesma freqüência da versão "b" (2.4 Ghz) e aproveita a grande base já instalada. A Intel lançou em janeiro a placa Intel Pro Wireless 2200BG para notebooks que já inclui o padrão vencedor e traz benefícios muito interessantes no uso diário. Além na velocidade de acesso, consome quase 20% menos de energia quando em uso (transmitindo ou recebendo) e 67% menos quando em "descanso" (sem uso) em relação à solução implementada no Centrino original. Esta solução deverá já estar sendo usada em novos modelos de notebook com Wi-Fi embutido.

Mas além do Wi-Fi, pudemos constatar a materialização de uma promessa do ano passado, o novo padrão Wi-Max. Este serve para integração de redes, serviços de Internet banda larga especializados, implantação de rede corporativa remota etc. Seu diferencial é a velocidade e o alcance, pois pode operar a 480 Mb/segundo (contra 54 Mb/s do 802.11g) e num raio de até 50 Km (máximo de 300 metros do 802.11g). Este novo padrão, chamado 802.16 (ou Wi-Max) ainda não foi completamente homologado e formalizado pelos comitês gestores competentes, mas já pudemos ver em operação alguns equipamentos feitos usando a versão preliminar das especificações que deve estar ratificada em 2005.


Wireless - uma aplicação prática
O que torna uma tecnologia vencedora é a sua aplicação prática no dia a dia, ou seja, tem que ser usada pelos seus benefícios tangíveis e não pela tecnologia em si. A Intel citou e fomos conferir. Comprovamos um uso belíssimo e muito criativo das possibilidades trazidas pela revolução Wi-Fi. A loja Vigin Records de San Francisco (CDs e DVDs), além de seus "quiosques" para experimentar discos novos antes de comprá-los, está usando alguns PCs de bolso com Wi-Fi para melhorar o atendimento. Quando um interessado em um CD não o encontra para ouvir nos "quiosques", o vendedor é acionado e por leitura de código de barras no CD (integrada ao PC de bolso), é consultado o banco de dados da loja, via rede sem fio. Após localizar o CD no sistema, um trecho das músicas é enviado "pelo ar" para o mini-PC para que o cliente possa ouvir com fone de ouvido as músicas desejadas. Fantástico! Real!
Outras soluções envolvendo o uso de telefone celular com PC integrado, com capacidade de interligação para aplicações de monitoração de informações médicas e pessoas idosas também foram mostradas.



Os novos PCs
Também há novidades na área dos PCs "comuns". Além de 64 bits extensions que estão chegando a Intel apresentou o novo chipset, conhecido como "Grantsdale". Em parceria com Dolby Studios e parceiros fabricantes de placas de som, estão disponibilizando High Definition Áudio. Embutido no chipset, proporciona som de grande definição e qualidade, em até 7 canais mais surround (Dolby digital 7.1). Muito interessante é a capacidade de aproveitamento de conteúdo "antigo", não especializado (sem ser 7.1), que é reinterpretado pelo sistema e ganha novo brilho e definição. Em sinergia com a visão do "Digital Home", o novo chipset vai trazer a "inteligência" para prover Access Point Wi-Fi nos PCs. Assim em algum tempo, acesso Wireless, nas empresas ou residências será imediato . Tivemos esta experiência. Ligado um PC novo recém saído da caixa, a configuração do ponto de acesso Wi-Fi é tão simples que em segundos, a casa ou escritório já tem a sua rede sem fio funcionando.


A velha e boa interface PCI está evoluindo para PCI-Express que possibilita taxas "estelares" de transferências de dados, beneficiando placas de vídeo e discos ainda mais rápidos. Já há placas de vídeo de ATI e NVIDIA usando esta tecnologia, bem como controladoras de disco RAID Serial-ATA aproveitando esta nova interface. Mal nos acostumamos com as memórias tipo DDR, os novos PCs usarão as memórias DDR2 que tem vantagens difíceis de serem ignoradas. Tem menor latência, responsável hoje em dia por quase 60% do tempo ocioso de uma CPU para processar alguma informação, por trabalhar com menor tensão (1.8 V contra 2.4), consumirá menos energia ajudando em mais alguns minutos a Intel cumprir outra promessa de dois anos atrás : "permitir autonomia de 8 horas para notebooks". Wireless USB é o novo standard sendo criado para permitir o uso de periféricos sem fio, a alta velocidade (mais de 400 Mb/s), convivendo pacificamente com Bluetooth (500 kb/s) e quem sabe substituindo-o no futuro. O novo Itanium, codinome "montecito", crescerá para uma arquitetura de núclo duplo e 24 mb de cachê integrado.

A expectativa é haver em algum tempo a mudança no mercado de computadores similar a que já aconteceu no ano de 2003 no mercado de telefonia, ou seja, haver mais demanda por computadores móveis (notebooks, PDAs, telefones inteligentes) que computadores fixos. Tudo fruto das possibilidades que o mundo desconectado está trazendo. Por isso novas formas de apresentação de computadores portáteis têm sido criadas, buscando maximizar as experiências de comunicação, mobilidade e entretenimento. São elas : telas de LCD de menor consumo, sensibilidade adaptável à luz ambiente para controlar o brilho das telas automaticamente (visando conservar energia), formatos criativos, com elementos destacáveis transformando-se em controles remotos, pequenos painéis LCD externos para uso com o computador fechado (em "stand-by"), câmera de vídeo embutida, acesso a redes IP de telefonia e acesso biométrico para segurança (scaner de impressão digital ou retina) são algumas destas novas formas em estudos avançados do PC da era móvel sempre conectado.

Desenvolver aplicações cada vez mais prontas e prevendo o mundo conectado é garantia de longevidade e bons serviços prestados (vide exemplo da Virgin Records). É um desafio imenso para a comunidade de desenvolvedores, pois o mundo conectado pode ter momentos "off-line" por menos que se deseje isso e isso traz alguma complexidade extra às aplicações que se amadurecerem neste conceito trarão todos os benefícios imaginados.

 


Conclusão
Há muitos anos, sempre que surge uma nova geração de processadores e novas tecnologias se questiona se precisamos realmente disso. O recurso traz a necessidade, e a necessidade atendida converge para progresso e evolução nas diferentes áreas de conhecimento. Por exemplo, se quisermos um dia ter processamento de cenas virtuais de elementos criados em computador com realismo absoluto, ainda há um imenso caminho a percorrer. Uma demonstração dessa tecnologia demandou um supercomputador com 64 processadores Xeon para desempenhar essa função usando tecnologia de "Ray- Tracing". Este é um exemplo extremo, mas mostra o quanto ainda se tem por fazer para trazer o mundo real para o ambiente virtual. Como ainda podem evoluir as interfaces, programas, modelagens de problemas etc. Mas alguns limites físicos teóricos estão se aproximando. A Intel precisará descobrir novos caminhos e mudar alguns paradigmas da arquitetura na sua trilha de progresso tecnológico. Os processos de fabricação de 90 nm chegarão a 65 nm em algum tempo, mas não muito mais que isso, pois 20 nm é uma barreira física real (dimensão atômica). Formas inteligentes de gerenciamento, algoritmos, novas arquiteturas e novos materiais são os possíveis caminhos. Estes são problemas distantes do usuário, mas que sendo resolvidos nós, os usuários em todos os níveis, seremos beneficiados neste novo tempo, a "Era do Tera (terabyte)".


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