Accent P4 3.60 Ghz Grantsdale
Uma máquina que promete! O processador Pentium 4 é uma versão mais evoluída, da geração “Prescot”, fabricado em tecnologia de 90 nanômetros. O chipset é o recém lançado “Grantsdale” (Intel 915). O fabricante é a conhecida empresa Accent (“Intel Premier Provider”). Esta soma de fatores nos fez chegar às mãos um produto de inquestionável vanguarda tecnológica.
É uma máquina “pré-série”, fabricada com os componentes pioneiros, entregues pelos fabricantes de placa-mãe, chipset, processador etc. O forte desta máquina em particular não são seus acessórios. É uma máquina simples neste aspecto. Acompanha um drive de CD, sem capacidade de gravação nem leitura de DVD. Dispõe de um HD SATA de 80 Gbytes. Mas em seu cerne, encontramos o real mérito deste equipamento. É uma máquina que pretende quebrar com a forma “antiga” de fazer PCs. Utiliza memórias do tipo DDR2, 1 Gbyte, interface PCI Express para comunicação com periféricos, a nova e já consagrada interface para discos rígidos Serial ATA além do Pentium 4 de 3.60 Ghz com o novo chipset.
INFORMÁTICA testou o equipamento e de forma destacada se percebe a evolução da performance no conjunto. Não se deve deixar enganar, pensando que a evolução dos Ghz é que norteia o ganho de desempenho deste computador. O Pentium 4 “Prescot”, neste novo contexto supera o ganho nominal de freqüência do processador por uma folgada margem. Comparamos esta máquina a uma outra usando o “antigo” processador Pentium 4 de 2.8 Ghz, o primeiro com tecnologia HT. Enquanto a diferença nominal de freqüência é de 28%, em nossos testes o ACCENT foi cerca de 45% mais rápido. Estes 17% a mais (além do clock) são ganhos advindos do progresso da tecnologia do processador e chipset.
Outro exemplo desta evolução apareceu quando testamos o recurso Hyper-Threading. O ACCENT 3.60 Ghz foi 55% mais rápido que seu antecessor de 2 .8 Ghz em situação de estresse, provocado por uma varredura do antivírus executada em segundo plano. Isso nos mostra que o HT do novo P4 e do chipset “Grantsdale” é mais “esperto” que seu antecessor. Desabilitamos a tecnologia HT do micro ACCENT e a mesma tarefa sob o mesmo estresse demorou 2,7 vezes mais tempo para concluir o teste. Frente a estes números nem desabilitamos o HT do P4 2.8, seria um massacre! Isso nos permite concluir duas coisas importantes: o real valor do HT em situações de uso de aplicativos simultâneos e que houve ganho de eficiência do HT neste novo sistema.

Outro ponto de destaque é o novo sistema de vídeo integrado à placa mãe. Vídeo integrado sempre sugeriu performance fraca, só adequada para PCs de escritórios e aplicações de texto, email etc. Esta á a primeira solução que de fato permite uso de aceleração 3D por hardware, com uso de memória dinâmica compartilhada, até 224 Mbytes, com suporte a DirectX 9.0 e vários recursos nativos, tudo “on-board”. Em nossos testes apuramos um desempenho muito melhor que a geração anterior de vídeo integrado, cerca do dobro do desempenho. Um pouco melhor que uma placa Gforce4 MX, se aproximando de uma Gforce 5200. Salvo jogadores avançados, esta solução nativa é muito adequada e de custo muito efetivo.
Se algum outro periférico vier a ser necessário, o ACCENT conta com a nova interface PCI Express, que de imediato mais que triplica a taxa de transferência possível, mas que pode ainda ser aprimorada de tal forma a obter em futuro próximo taxas de transferência muito maiores.
Nossos testes foram feitos usando um “mix” de operações, mas fizemos também alguns testes de elementos específicos deste sistema. Um dos pontos testados foi a nova memória DDR2. De forma surpreendente alguns testes de acesso à memória DDR2 foram mais lentos que o acesso a memória DDR 400 Mhz. Esta situação acontece porque as memórias DDR2 apresentam em algumas situações uma latência um pouco maior. Mas no conjunto, e em situações reais de uso o saldo é positivo, pois se reflete em ganhos reais de performance.
Mas nem tudo foram flores em nosso teste. Usando alguns jogos para testar os limites deste computador, tivemos alguns episódios de instabilidade. Experimentamos algumas vezes comportamento errático na performance do vídeo e algumas situações de travamento do programa. Consultado o fabricante, fomos lembrados ser esta máquina um protótipo “pré-série”, que ainda usa as primeiras unidades de placas-mãe que surgiram no mercado, uma versão de BIOS preliminar etc. É uma explicação razoável, mas não deixou de ser frustrante não conseguir testar os limites em alguns jogos que têm o dom de fazer “ajoelhar” máquinas poderosas. Só as máquinas realmente grandes colocam estes respectivos jogos da mesma forma, ou seja, “de joelhos”, entregando o máximo do prazer em forma de elevadas taxas de “frame-rate”.
O sistema de som desta máquina é um caso à parte. Também incluído no chipset, está o sistema de som de alta definição, com até 7.1 canais (7 auto-falantes mais um canal para subwoofer). Tem detecção dinâmica da saída de som sendo utilizada (onde foi plugada a caixa de som), permite mais de um fluxo de som ao mesmo tempo, captura de som em alta definição. Enfim... um “Home Teather” ali, ao alcance das mãos e já incorporado à placa-mãe.
Foi interessante foi termos encontrado nesta máquina uma interface serial, pois em princípio o novo chipset “Granstdale” as aposentou em prol de um ganho de performance por não ter que gerenciar estes tipos de dispositivos que remontam ao IBM PC original de 20 anos atrás. Porém segundo o fabricante, o mercado é soberano e ainda quer por algum tempo este tipo de interface em seus computadores. Por isso alguns modelos de placa-mãe as implementam. Da mesma forma no ACCENT existem além dos inovadores slots PCI Express, alguns slots PCI tradicionais, pois nem todo fabricante de placas já migrou para esta nova tecnologia.
Podemos definir o ACCENT 3.60 Ghz, como um legítimo pioneiro do novo pacote de tecnologias disponibilizadas pela Intel e parceiros, visando o estabelecimento de uma nova plataforma e novos padrões técnicos. É um equipamento de performance excelente, denotando o progresso em cada uma de suas partes e do conjunto como um todo. Devem ser resolvidos os problemas da unidade “pré-série” para que se realize todo o seu potencial. É uma máquina de um momento de transição para este novo patamar e que por isso mesmo deve ser entendida como uma alternativa de alto desempenho e grande possibilidade de “escalabilidade”, pois o que veremos nos próximos meses e anos será o aparecimento de periféricos mais sofisticados, rápidos e acessórios compatíveis com esta nova plataforma.